16.1.10

Segundo disco de johnny Suxxx sai via Compacto.Rec


O quarteto goiano Johnny Suxxx ´n The Fucking Boys lançou o seu novo álbum "Zebra" via Compacto.Rec, projeto mensal de lançamentos em rede do Circuito Fora do Eixo, que pode ser baixado gratuitamente na internet. "O lançamento em rede do disco é muito importante pra banda, pois pretendemos visitar em breve a maioria das cidades que estão colaborando e lançando o disco pelo compacto rec. E chegar na cidade e ter um pessoal que já saca o seu som, que conhece as músicas eh bem interessante!", destaca o vocalista da banda, João Lucas.

As turnês de divulgação, inclusive, começam já nos Festivais Grito Rock América do Sul, que acontece entre 22 de janeiro e 27 de fevereiro, em mais de 70 cidades do País. O álbum físico também embarcará com a banda, pois já está pronto. "Chegou sexta passada! Lançamos o disco dia 22 de dezembro em Goiânia e em breve estará circulando por aí".

João Lucas enfatiza ainda que a produção de "Zebra" foi realizada com mais tempo em relação ao primeiro ("Make Up and Dream", de 2007), "além do cuidado com a produção ter sido também maior" - explica o vocalista, que acrescenta: "Tivemos mais tempo, chegamos com as músicas mais estruturadas, foi tudo mais fácil. Um bom trampo de pré produção é importante. Quanto ao som, é o que o pessoal ja conhece da banda. Não tem grandes mudanças. Só acho um pouco mais maduro".

A sonoridade do disco, aliás, como sugere o material de divulgação, "transita entre o descompromisso de um álbum de glam e a coesão de um hard rock com riffs grudantes. Em sequência ao primeiro trabalho do grupo, a pegada oitentista cede espaço a influências de um rock 70’ mais maduro e trabalhado, atestado na presença de teclados, orgãos e vocais de fundo femininos".

Veja o vídeo de lançamento e baixe o disco novo do Johnny Suxxx.



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6.1.10

Toque no Brasil inaugurará uma nova fase de circulação no país


Imagine uma banda e/ou artista realizando uma turnê de vinte e dois dias, saindo de Fortaleza (CE) e chegando ao Rio Branco (AC) com dois days off apenas (dias livres, em português) e com um custo razoável. Imagine também essa mesma banda ou artista operando essa produção com o auxílio de um 'guia' da música independente, acessível a partir de um endereço online, onde o sujeito tem a chance, após a turnê, de tecer comentários sobre as rotas, sobre o atendimento dos locais, sobre o som, ou quaisquer outras informações que julgue pertinente compartilhar, construindo assim um grande banco de dados coletivo, capaz de promover trocas de impressões, experiência e garantindo mais facilidades para a realização de próximas turnês.

Pois bem, a compilação dessas duas imagens é a proposta de trabalho que o projeto Toque no Brasil inaugura com o seu lançamento, a ser realizado nesta terça-feira, dia 05 de janeiro, no endereço virtual www.toquenobrasil.com.br. O projeto é uma iniciativa pioneira no Brasil e tem como meta propor um novo conceito de agendamento de shows, circulação de artistas e turnês baseados em uma plataforma 100% virtual em sua negociação, que garantirá o mapeamento e acesso de artistas a circuitos e rotas brasileiras, construídas a partir da colaboração e contato direto dos usuários do sistema.

Fabrício Nobre, presidente da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), uma das entidades realizadoras da ação (ver relação completa abaixo), cita o SonicBids.com - site americado que conta hoje com milhares de cadastrados - para explicar as vantagens que a ferramenta brasileira promoverá no mercado da música independente brasileira . "O SonicBids auxilia a negociação mais de 60 mils shows ao ano. A idéia que é o TNB facilite do mesmo modo esse link entre bandas, festivais, casas, coletivos e outros agentes interessados em se apresentar no Brasil". diz. "Lembrando que a ferramenta é apenas uma plataforma virtual de negociação, e que os esforços, tanto de investimento para a circulação e outros, deverão ser feitos pelos agentes envolvidos na transação e não pelo TNB", sublinha ele.

A Abrafin conta hoje com mais de 40 festivais associados, e conforme antecipa o presidente, vários deles disponibilizarão vagas via Toque No Brasil, onde também constará quais serão as condições de trabalho ofertadas, tais como cachês, receptivo e outros, que serão oferecidas aos artistas.

Além dos festivais, rede de casas de shows brasileiras chancelada pela Casas Associadas - outra realizadora da ação - também já anunciou todo o empenho na garantia dos mais variados espaços na base de dados do TNB , assim como o BMA (Brasil Musica e Arte) e o Circuito Fora do Eixo (ambas também realizadoras), que contam, respectivamente, com contatos internacionais e com mais de quarenta coletivos espalhados nas mais diversas regiões brasileiras. "Com essa quantidade de espaços ofertados, será possível circular inúmeras rotas, de ponto a ponta do Brasil, durante todo o ano. Essa constância é uma das principais moedas da rede social, que facilitará o planejamento dessas ações como nunca vista antes no Brasil", analisa Talles Lopes, da Casas Associadas.

Para Pablo Capilé, do Circuito Fora do Eixo, o Toque no Brasil e uma ação de continuidade, de um planejamento que vem sendo realizado por todas essas organizações parceiras. "Com todos elementos já é possivel analisar a força que uma ferramenta dessas traz ao circuito da música independente nacional, deixando claro, obviamente, que não basta só se cadastrar, é preciso empreender", finaliza ele.


Rede Social - A lógica de rede social já é notória em virtude de exemplos como MySpace, Orkut, Twitter, Facebook, ou sites com foco específico em alguma atividade, como no caso do site de empregos Catho. A diferença entre esses citados e o TNB, no entanto, além do enfoque, é que no Toque no Brasil qualquer festival, casa de show, e/ou outros projetos de circulação poderão se associar, tornando-se, assim, um ponto de circulação no mapa geográfico virtual da rede. No caso do artista, esse poderá fazer as vezes de vendedor de shows e/ou mesmo de um avaliador dos espaços, produções e/ou outros pontos ali cadastrados.

Vale também destacar, que no TNB a negociação de shows é o vínculo entre seus usuários - seja contrante ou contratado - e em um futuro breve, essa negociação sempre poderá ser avaliada em um sistema de meritocracia - fácil de entender para aqueles que já utilizaram serviços como eBay ou Mercado Livre - onde a operação de compra e venda é avaliada por ambas as partes envolvidas no negócio. No caso do Toque No Brasil, contratados e contratantes serão incentivados a qualificar a produção de shows propiciada pela rede social. Além disso, o sistema garantirá acesso a contatos para bandas e artistas em geral.


Grito Rock 2010 - As primeiras vagas disponibilizadas pelo Toque no Brasil são promocionais e valem para o Grito Rock América do Sul 2010, que acontece em mais 70 de cidades das cinco regiões do Brasil, além de 4 cidades na Argentina, na Bolívia e no Uruguai: Buenos Aires, Córdoba, Montevidéo e Santa Cruz de La Sierra. Inscrições vão de 5 a 15 de janeiro, são gratuitas e podem ser feitas no www.toquenobrasil.com.br . Vale destacar que só no Grito Rock, serão disponibilizadas mais de 500 vagas para bandas interessadas em circular a rede de festivais.

Versão 1.0 Beta - Esta primeira versão do projeto - lançado neste primeiro momento no idioma Português - traz um formulário de cadastro para que artistas efetivem suas inscrições para o Grito Rock 2010, bem como um sistema de cadastramento de eventos, festivais, casas de shows e outros pontos de circulação inscritos. Neste primeiro momento, o projeto enfocará o sistema de georeferenciamento, que primará por iniciar a construção da base de dados proposta pelo TNB. O sistema está sendo desenvolvido em parceria com a ferramenta portuguesa Mapa de Sala, projeto também colaborativo que tem como meta mapear salas de espectáculos em Portugal e Brasil. Em maio, uma nova versão do projeto será lançada, em formato trilingue.

Realizadores - O TNB é um projeto realizado a partir de uma parceria entre ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes), BM&A (Brasil Música & Artes - entidade conveniada à APEX), Circuito Fora do Eixo e Casas Associadas. Mais informações sobre os realizadores podem ser encontradas nos respectivos sites: www.abrafin.org; www.bma.org.br; foradoeixo.org.br e casas-associadas.blogspot.com.

Sérgio Ugeda, da BMA, destaca, no entanto, que o atual conselho gestor - formado pelas referidas entidades - está aberto para a entrada de outras interessadas em participar do projeto. Para isso é necessário que as propostas sejam enviadas ao e-mail toquenobrasil@gmail.com.


Modelo de sustentabilidade - Dez entre dez artistas e produtores que atuam no setor da música independente brasileira afirmam que uma das principais ferramentas de sustentabilidade do músico ou banda do mercado da música atual é o show.

Tomando como parâmetro o grande mercado da música, conforme matéria publicada em março de 2009 no site the View, mesmo com o mundo vivendo um período de crise econômica, o mercado de shows musicais apresentou um crescimento de 10% em 2008, movimentando cerca de US$ 25 bilhões (entre venda de ingressos, publicidade e direitos de imagem) durante o ano.

No Brasil, especialmente se tratando do setor da música independente, a curva ascendente referente ao surgimento de novos festivais é um atestando de como o mercado de venda de shows vem se ampliando. Para se ter uma idéia, dados da Associação Brasileira de Festivais Independentes revelam que mais de novecentas bandas se apresentaram nos festivais da associação no ano de 2008; e que de 25 festivais associados em 2008, a organização saltou para 40 ao final de 2009.

Com o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor, a tendência é que esse mercado se amplie cada vez mais, consolidando a posição do TNB enquanto uma excelente ferramenta de prestação de serviços público com o foco no atendimento de produtores, artistas ae outros empreendedores atuantes no setor da música brasileira.

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22.12.09

Entrevista Mini Box Lunar


Logo após apresentação no Goiânia Noise 2009, Otto Ramos e Heluane, da banda Mini Box Lunar, gentilmente concederam uma entrevista para Over Música. Eles comentam a origem do grupo, com uma fala clássica (para este bolg) de Otto: O Mini Box já nasceu torto.... Heluane explica também de onde vêm as ideias para o visual que vestem ela e JJ, as duas vocalistas do Mini Box, além do trabalho do Coletivo Palafita no Amapá e suas ações integradas ao Circuito Fora do Eixo e as bandas da cena local.
Confira abaixo as vozes sensuais de Otto e Heluane.





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21.12.09

Cobertura Macondo Circus 2009: Parte dois


Pelo terceiro dia consecutivo, com shows na praça Saldanha Marinho e Macondo Lugar, o Festival Macondo Circus movimentou Santa Maria. O município situa-se geograficamente no coração do Rio Grande do Sul e tem aproximadamente 300 mil habitantes. A sexta edição do Macondo Circus  mostrou que o Festival é, não apenas o principal evento de música e cultura independente do Estado, mas da região Sul.

E para compensar o não-bis da noite anterior, o trio de rock instrumental Pata de Elefante fez um concerto tri-bom, com dois bis. “Eles podiam tocar pra sempre”, era a frase eleita por Andressa, da equipe da cobertura colaborativa que, dias depois, escreveu no site do Festival:

Muita gente não gosta de despedidas, odeia até. Muita gente que não gosta de despedidas adorou a despedida desse Macondo Circus. Foi extasiante! Bastou bateria, guitarra e baixo para fazer com que todo o Macondo Lugar pulasse, balançasse a cabeça e, entre um gole e outro, pedisse bis uma, duas, três vezes. Voz? Só para cumprimentos e comentários entre uma música e outra.

No show, Pata de Elefante pôs a fuder os clássicos “Carpeto Volare”, Marta”, “Hey!”, “Gato que late” e mostrou várias das novas composições do terceiro álbum, previsto para sair em março, pela Trama. E se o novo disco ainda não foi prensado, os dois anteriores (um total de três mil cópias) não estão mais disponíveis. “Pelo menos nós não temos mais”, disse o guitarrista Daniel Mossmann. E a Monstro Discos não vão prensar mais cópias? “Baah, eles não mostraram interesse, mas nós vamos prensar sim, com certeza”.

Perto do final do show, amigos se abraçavam e pulavam, em rodinha. Teve mosh também. Uma guria subiu no palquinho e começou a dançar ao lado de Gabriel Guedes, que empunhava o baixo. Aglutinadas, as pessoas pediram pra ela pular: primeiro e único mosh do Macondo Circus 2009, no Macondo Lugar.



Mas se o clima era de deslumbre e embriaguez – embalado pela forte água que caia do céu – este tivera início com outra apresentação singular: dos Black Drawing Chalks. “Foi o melhor show da Black Drawing Chalks de todos os tempos”, disse o vocalista da banda Vítor Rocha. Vitor contou também que a banda desembarcou em vários festivais este ano, inclusive no exterior, chegando a fazer, no segundo semestre, oito shows em seis dias.

Macondo Lugar, duas e pouco da manhã
Frente e arredores do palco estavam abarrotados de gente, várias delas com garrafas verdinhas às mãos. O Chalks também tinham cervejas, usadas numa espécie de batismo.
Banhos do líquido amarelado, na banda, deles para a platéia, que retribuía, arremessando copos. “Nós jogamos cerveja ali na frente porque assim as patyzinhas já saem, dão espaço, mas aqui elas não saíram não!”, gargalhou Vítor no dia seguinte.



Os goianos mostraram quase todas as músicas do álbum “Life is a big holyday for us”, lançado este ano. Exibiram um vigor intenso, invadindo a platéia, jogando-se nela e atirando-se ao chão com os instrumentos. “Eles são fodinhas né?” – comentou um dos coordenadores do Festival, Atílio Alencar.

Terminadas as duas apresentações, mais ou menos as quatro da manhã, rolou outro festival: de encontros. Hospedados em Santa Maria, vários dos integrantes de bandas, produtores, seres-coletivos, amigos, parceiros, produtores e oficineiros trombavam-se no andar térreo do Macondo Lugar.



Um dos assuntos fora o show do argentino-monobanda Gomez, que, aliás, também circulava por ali. O Proyecto Gomez, única banda estrangeira do Festival, finalizou com muita classe os eventos que rolaram durante a tarde, na praça Saldanha Marinho, também no sábado (04/12).


Bem antes do argentino, às 18h, com uma hora de atraso (por conta dos atrasos na chegada das bandas AMP e principalmente dos Dead Lover´s Twisted Hearts), os quatro Aeromoças e Tenistas Russas subiram. Trouxeram de São Carlos uma sonoridade peculiar, misturando rock, jazz e uma pegada viajante. O guitarrista-vocalista Thiago Hard, também toca sax. O teclado de Gustavo não é aquele típico, que só faz bases, é, possivelmente, junto às linhas de baixo de Juliano, o diferencial das aeromoças. "Quando nos juntamos, cada um tinha um riff elaborado, pronto, então começamos a compor em cima. Mas o processo [de composição] é basicamente jams de ensaios", resumiu Gustavo à colaborativa.

Depois deles, a ordem das bandas inverteu, quem subiu foi o AMP, que chagara há pouco em Santa Maria. A regulagem do som estava ruim, fator que talvez tenha interferido no show, que foi rápido e sem tanta empolgação.



Mas quem devolveu a empolgação ao público foram os mineiros do Dead Lover´s Twisted Hearts. Eles que também nunca tinham passado pela cidade, fizeram um show bem dançante, contagiante, misturando rockabilly, rock ´n roll e sincronizando vocais com maestria. “No nosso show as pessoas começam um pouco tímidas e no final elas já começam a dançar, porque o nosso show é pra isso: pras pessoas dançarem”, disse Guto.

Outro evento que se misturou, se integrou, se potencializou e se diluiu na Saldanha Marinho, ao Macondo Circus, foi o Mercado das Pulgas. Trata-se de um conglomerado de pequenos comerciantes, dispostos em barraquinhas, numa cadeira, ou no chão mesmo, ao redor da praça. Entre comes, pastéis, salgados e churrasquinho gaúcho, à bordados, moda hippie, pinturas, leitura espírita, camisetas desportivas, bottons etc.

O prefeito local - uma das três mil pessoas que presenciou os Móveis Coloniais e o Mercado das Pulgas no dia anterior - garantiu que no ano que vem tem mais. “A Prefeitura apoiou o Festival este ano e pretende continuar apoiando para que ele se torne ainda maior”, garantiu César Schirmer.

Macondo Circus 2009 é uma realização do Macondo Coletivo, em parceria com Casas AssociadasABRAFIN e Circuito Fora do Eixo.
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TOP 5 MACONDO CIRCUS 2009
Macaco Bong
Black Drawing Chalks
Pata de Elefante
Proyecto Gomez
Bandinha Di Dá Dó
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Over Música viajou a Santa Maria independente, embora com alimentação, hospedagem e cerveja bancados pela produção do Macondo Circus.

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16.12.09

Cobertura Macondo Circus 2009: Primeira parte

Abrigado anteriormente em regiões verdejantes e cercadas de muito mato, a 6ª edição do Festival Macondo Circus integrou-se à Santa Maria, no coração do Rio Grande do Sul. A cidade acabou servindo de pano de fundo para interação com os mais diversos personagens. A música desempenhou papel principal, com shows abertos, gratuitos, em praça pública, em pleno contato com o povo.

E como num daqueles filmes onde personagens coadjuvantes são fundamentais, Macondo Circus promoveu o encontro das artes, da música com, por exemplo, o teatro, o grafite e a cultura do fanzine. Por todos os lados, durante quatro dias, Santa Maria respirou cultura, além de shows, passaram pela tela, exposições, debates, performances e oficinas, sempre percorrendo o tema: “música e cultura urbana”.

De vidro ou de papel, tanto faz, a tela foi tingida.

Já no primeiro dia, aliás, peças, fios, placas e muita sucata de computador. Ministrada por Cristiano Figueiró em parceria com Pontão TV Ovo, Pontão Junta Dados da Uneb, CMID e Associação CUICA (Cultura, inclusão, Cidadania e Artes), trouxe crianças e adolescentes para a reflexão sobre o descarte e a reciclagem digital: era a oficina de meta-reciclagem.

A imagem que percorre a tela agora é um grande galpão, repleto dos mais variados tipos de peças de computador, Cristiano ao centro, crianças ao redor. Figueiró disse que depois de uma explicação básica sobre o funcionamento interno de computadores, “juntamos peças e construímos alguns PCs; é um equipamento simples, mas se você, por exemplo, colocar Linux, roda legal, dá pra usar editor de texto e navegar na internet, principal demanda dessa molecada”, explicou. Ao final, todas as máquinas montadas foram doadas para os guris que participaram da oficina.

Praça Saldanha Marinho, quinta (03/12)
O dia começa a entregar-se à noite, que é de lua cheia. Depois de um vôo alucinante literal, de Mauro da Bandinha Di Dá Dó, sem maquiagem, o quarteto agora está no camarim, trocando ideias. "Na verdade o convite pra tocar no Macondo veio do público, que intimou o Atílio a nos colocar pra tocar no Festival", explica Paulo Zé, um dos clowns da banda.

Pouco depois, após três músicas, as pessoas já estão chocadas com a visceralidade e a catarse musical causada pelos três Macacos Bong: "Amendoim" "Noise James", e "Fuck You Lady". Numa apresentação explosiva, as pessoas paralisam em frente ao palco; outras sentam para contemplar o concerto. “Já vi uns 200 shows do Macaco Bong, mas hoje..., estou de cara”, resumiu Pablo Capilé, que esteve em Santa Maria puxando o 1º Encontro Integrado das Regionais Sul e Circuito Fora do Eixo.



E enquanto Bruno Kayapy, guitarrista do Macaco Bong (foto), debruçava-se ao chão, tirando música dos pedais, da guitarra, o artista urbano Luis Flávio, bem atrás do palco, assinava Trampo nos passarinhos que grafitou numa carrocinha (foto capa) – a ferramenta de sustento dos parceiros Robson e Joel Ferreira Leite. “Eu estava passando, vi a movimentação, cheguei e entreguei: pode fazer o trabalho!”, contou Joel. “Ele chegou e pediu para fazer um desenho, como é que você vai negar?”, sorriu Luis Flávio.

Alguns trabalhos de Trampo estiveram expostos, durante o Festival, no Macondo Lugar, na Sala Dobradiça, um espaço destinado à mostra de artistas plásticos. Foi ele, inclusive, que articulou todos os outros trampos expostos na Dobradiça.


Na tarde seguinte, o jornalista Fernando Rosa foi convidado para falar sobre a “Cena Independente e novas formas de comunicação”. Rosa fez um rápido histórico do surgimento e evolução do Portal Senhor F, site que criou no finzinho dos anos 90. Hoje, além de referência para o mercado musical independente, funciona como uma agência de notícias e selo digital, atualmente com dez artistas.

Fernando Rosa falou também sobre a importância de as bandas usarem todas as ferramentas possíveis na rede, para evidenciá-las. “Veja o Repolho, por exemplo, último lançamento Senhor F, até ontem estava na margem dos 3.200 downloads e, levando em consideração que ninguém é maluco de baixar o mesmo disco duas vezes, é relevante, não?” – exemplificou.

Depois de uma hora e meia de debate, Rosa migrou junto aos demais para a praça, onde aconteceriam três shows. Lá, num varal improvisado, surgiam as primeiras imagens confeccionadas na oficina de Xilogravura, oferecida por Marcelo Monteiro, no mesmo horário da palestra de Rosa.

Os Subtropicais, que tinham acabado de descer, agora davam entrevista para a gurizada da cobertura colaborativa. Divididos em equipes, cerca de 30 jovens (de diversas áreas, mas sobretudo, estudantes de comunicação) fizeram a maior cobertura em rede, em massa, que já aconteceu num festival de música independente no País, até hoje. Em quatro dias, mais de 130 artigos foram publicados, entre textos, vídeos e fotos, além das transmissões dos shows, no site do Macondo.
O processo proporcionou aos estudantes um estágio (na área da música) intensivo e real – tão ausente nas academias – que estabeleceu um link entre a universidade e o mercado.



Dalle! Durante a entrevista dos Subtropicais, quem se ajeitava no palco eram os Móveis Coloniais de Acaju. Pela primeira vez em Santa Maria, os Móveis armaram aquele carnaval típico, interagindo bastante com o público, que lotou a praça, enchendo a cidade de cores, de alegria e dançando ciranda (vídeo). “O Tempo”, “Café com Leite”, foram algumas.



Finado o show, perto das 22h, o pessoal rumou para o restaurante oficial do Macondo Circus: o Café Cristal, cujo cardápio lê-se “desde 1938”. Comida boa, quentinha, nos quatro dias, degustamos polenta com carne, strogonof, feijão preto, fritas, ente outros caseiros.


De madrugada, dois shows no Macondo Lugar: Zefirina Bomba (foto) e Superguidis. O show do Zefirina estava cheio, agressivo como de costume e calcado nas músicas do disco novo, de 2009 ("Nós Só Precisamos de 20 Minutos Pra Rachar Sua Cabeça") e com uma formação diferente: Poly segurou o baixo no lugar de Martin.











Os Superguidis entraram em seguida. Abriram com “Spiral arco-íris” e tocaram outras cinco músicas do primeiro álbum, adoradas pelo público do Macondo, que cantou juntinho com Andrio. A banda parava após cada música, atravancando o show. Num desses longos intervalos, o guitarrista Lucas Pocamacha, fez piada com Lelia Lopes, falecida no dia anterior. “Quem não se lembra de Renascer? Quem aqui não dedicou uma a Leila Lopes?”.



















Na última música, “Malevolosidade”, Diogo (foto) abandonou o baixo, tomou o microfone de Andrio e levou-o ao baterista, que não quis cantar junto. Ficou uma bagunça, resumida por Andrio: “foi o show mais divertido e avacalhado que já fizemos”. Foi o único show (fechando um dia) que não teve bis, embora com manifestações da platéia. “Não fosse a minha corda estourada, a gente tocava”, desculpou-se Lucas.

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